Desempenho dentro de campo ficou muito abaixo do esperado pela diretoria e comissão técnica (Foto: Saulo Marino) |
Escrito por Saulo Marino
Em crise, afundado na zona do
rebaixamento com 18 pontos, dois a menos que a Francana, 16º colocado e
primeiro time fora do grupo que hoje cairia para a Segunda Divisão, o São
Carlos que agoniza em campo reflete uma série de erros de planejamento. São
pelo menos sete pecados capitais que explicam o fato da Águia - que derrubou
times como Palmeiras e Coritiba na Copa São Paulo de Futebol Júnior - ocupar a
zona da degola no profissional, preocupadíssimo com o risco de uma nova queda, desta vez para a quarta divisão do
Campeonato Paulista.
A equipe do Futebol de São Carlos conversou com os torcedores e selecionou os sete erros do São Carlos FC na Série A3. Afinal, quando o juiz apitar o
fim de jogo neste domingo (13), será necessário entender o que foi feito de
errado:
1) Manter a base do elenco do ano
passado – A temporada 2013 foi desastrosa para o São Carlos. Rebaixado na Série
A2, eliminado na primeira fase da Copa Paulista. Mesmo assim, 80% do elenco foi
mantido para a Serie A3 de 2014. Quem achou que, com os mesmos jogadores que
passaram vergonha num campeonato inexpressivo como a Copa Paulista, seria diferente
um ano depois? Vale destacar que o time jogou quatro amistosos na pré-temporada
e perdeu três; mesmo assim a diretoria garantiu um time brigando pelo acesso.
2) Fechar os olhos para o elenco
do Paulistinha – Muitas equipes da Série B, a quarta divisão paulista, montam
seus elencos com jogadores que disputam a Série A3. Foi assim com o Paulistinha
em 2013: a equipe, com apenas 15 jogadores profissionais, ficou em sexto lugar
entre 45 participantes, sendo que quatro conseguiram o acesso. Apesar do
futebol vistoso, e dos jogos acontecerem no Luisão, apenas o volante Renan
Balbi foi aproveitado pelo São Carlos, para ficar na reserva, e o restante dos jogadores
do CAP migraram para outros times do país, e alguns deles inclusive chegaram a
jogar a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro. Ou seja, no São Carlos foi
mantida a base perdedora de 2013, sendo que existiu outro time na cidade com um
elenco que, apesar de não ter conseguido o acesso, foi tido como vencedor.
3) Esquecer da categoria de base –
Enquanto o São Carlos brilhava na Copa São Paulo de Futebol Júnior, para
jogadores até 20 anos de idade, o elenco profissional da Águia fazia a
pré-temporada na cidade de Vargem. Roberto Oliveira, técnico na época, chegou a
admitir que a pré-temporada era fundamental “para o entrosamento da equipe tanto
dentro como fora de campo”. E nenhum garoto viajou com a equipe. Eles só tiveram
oportunidades na A3 quando Roberto Oliveira foi demitido.
4) Soberba no início do
campeonato – O discurso dos dirigentes da Águia antes de começar a Série A3
encheram o torcedor de esperança, o acesso parecia inevitável. O experiente
volante Jody Guerreiro chegou a ser demitido antes mesmo de entrar em campo,
porque foi acusado de estar desmotivado. E o então técnico Roberto Oliveira
afirmou que o time iria subir. “Nosso elenco é qualificado e não tenho dúvidas
que iremos brigar de igual pra igual com todos os nossos adversários. Levaremos
o São Carlos de volta para a Série A2”, disse o treinador na época. Porém, a
falta de resultados colocou em rota de colisão diretoria e torcida, e o técnico
caiu na terceira rodada. A título de curiosidade, Jordy Guerreiro atualmente é
titular do Independente de Limeira, time que está no G8 e entra na última rodada como forte candidato a classificação para a segunda fase.
5) Indefinição sobre o Rodrigo
Santana – Roberto Oliveira foi técnico do São Carlos durante 8 meses. Além de
treinar a equipe durante toda a Copa Paulista de 2013, o técnico comandou a
pré-temporada, e conquistou dois pontos em três jogos na Série A3 de 2014: no
total foram três vitórias, cinco empates e sete derrotas. Para seu lugar,
Rodrigo Santana assumiu interinamente, já que estava prestigiado por ter brilhado
com o time Sub-20. Porém, a equipe chega na última rodada com o técnico tendo o
status de interino, uma vez que a diretoria não se decidiu sobre efetiva-lo ou
não. Não restam dúvidas que a incerteza quanto ao comandante influenciou
negativamente os jogadores dentro de campo.
6) Levar gols no final da segunda
etapa – O goleiro Fillipi e o zagueiro Everson, um dos poucos jogadores que
fizeram bons jogos pelo São Carlos em 2013, se machucaram no início da Série A3
e não se recuperaram a tempo de entrar em campo novamente. Coincidentemente, a
equipe sofreu diversos gols no final da segunda etapa. Seria uma pré-temporada
mal realizada, ou um preparador físico que não deu conta do recado?
7) Falta de divulgação dos jogos
– Nem parece a mesma cidade. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior o Luisão bateu
recordes de público, na Série A3 não teve quase ninguém no estádio. O
Paulistinha sofreu com o mesmo problema na temporada 2013. Para a grande maioria dos torcedores a questão é que os
jogos não são tão divulgados, como o Botafogo de Ribeirão Preto, por exemplo,
que promove carreatas para divulgar as partidas mais importantes, como o início
das competições. Muitas pessoas que moram no entorno do Luisão nem sabem que as
equipes da cidade estão em campo, e reclamam da falta de divulgação por parte
do clube, como a circulação do popular carro de som. Sem torcida fica difícil.
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